26 abril, 2015

quinze horas

oito horas.
céu e chuva e um guarda-chuva a guardar minhas lembranças.
o sapato molhado é o menor dos calafrios.
vem silêncio, vai afago.

mais uma vez oito horas.
o luar fez-se sol.
o tempo dita o pensamento.
olhares de soslaio atropelados,
guimbas ansiosas por todo lado.
tomo estrelas no café da manhã.
meu dia tem quinze horas.

24 abril, 2015

céu

"só mais três minutos, eu não disse. desejei a escada sem fim e não quis que se fosse nunca mais. tendo a prolongar. e mudar o tempo. ele corre ali. eu me senti impotente e cru, não sabia por onde começar. menino. é muito medo. fui dois. fui milhares. fui e voltei e fui e estou de volta dando voltas nas ondulações e desenhos. na pele branca. no rubor. como é. sintonia e sinfonias que a gente não reconhece, palavras favoritas. fui lua, fui céu. fui."

21 abril, 2015

papel amassado

"Dora pode ter sido a chave que deixei cair pelo ralo. algemado fiquei. talvez ela não tivesse acrescentado muito na minha vida material, tenho uma certa certeza disso. ela nunca quis muito com o mundo. mas parte de mim ficou lá com ela. uma parte que eu precisava descobrir. que merda! eu só precisava dessa parte para seguir meu caminho. não de Dora, mas do pedaço." 

ele havia escrito isso numa folha de papel amassado, com um pedaço de lápis carcomido que havia na bolsa. ele ficou se perguntando sobre a vida. tempo voou e Dora ele viu. porra nenhuma, meu caro, porra nenhuma. o pedaço não está em lugar nenhum senão nele mesmo. é muito fácil depositar responsabilidades.

19 abril, 2015

mar

peixe nada peixe anda peixe vive peixe bóia peixe erra peixe gosta peixe acorda peixe ama peixe quer peixe tem medo peixe vem peixe voa peixe nada peixe nada nada peixe não hesita peixe chora peixe afaga não afoga e peixe vazio o pensamento peixe nesse mar peixe.

12 abril, 2015

queria pontuar que algumas coisas não precisam de pontuação

11 abril, 2015

agora sim

adoro mudar o tempo

10 abril, 2015

vazio


01 abril, 2015

é mentira

eu ainda estou muito longe de descobrir respostas. isso é complicado...
talvez precisássemos de um tempo até você entender o que se passa comigo.
acho que criamos muitas verdades absolutas. não é bem assim. eu não sou quem você conhece. não sou tão perturbada! mas algo me prende cá dentro, que não me deixa me achar. há uma mulher dormindo aqui. por fora, menina. muito sensata, mas que mal sabe o que faz. ela sempre foi muito paradoxal. open your mind, little girl.
preciso escrever para Augusta. e preciso de respostas.

escrevo, percebo alguém atrás de mim bisbilhotando. percebo uma, duas, três vezes. sou sempre eu, tentando descobrir meus segredos.