12 abril, 2017

aflora

na cabeceira da noite há um prato cheio
notas que não tenho ouvido
será que tenho
ou visto
de toda anatomia que me forma nada mais me sobra
eu só quero o que não há mais

me vem cheio
desatado
plurado
pulsado

me traz amostras
onde me punha a mergulhar
na organicidade
afago
no piscar
duplo
olhar fundo
sem escada
sem sinalização
sem volta

fada sem varinha de condão
eu preciso te gravar
dentro
dentro de mim

adentro me pego
lembro
sereno
terreno
fiz minha casa
morada onde vivo norte
sem abrir janelas
o mar é de vento forte
logo eu

nessa engenharia
já diz o velho amigo
na paráfrase
dois não sustentam

26 março, 2017

incapaz

intitulei-me capataz
ceifador de meus castelos
um por um
destruídos
por dinamites silenciosas

já não nasce sol no reino
a mariposa cansada
não aguenta mais seu próprio peso
afogada
agora é só fio

quem é a tal?
era uma vez eu
um menino que nunca soube brincar

22 março, 2017

aspirante

como Carolina
incansável sedutora
eu te aspirei como há tempos
sem vírgulas 
sem cabeça
excito
de cima do meu altar das lamentações
eu sou o rei perdido que não quer acordar

seus restos no meu rosto
o gosto inconfundível
atracado
entranhado

não estou de pé
mas ainda vivo
sobrevivo
sem cara pra reviver o final