pedrinhas e glossários
relicários
olha a lua como tá bonita
troca o livro
vive o nada
faz um frio
fica um tico
fica mais um pouco
fica até amanhã
dorme em mim
me vive
repete
repete tudo outra vez
eu vou com você
eu vou até o fim
eu vou voando
eu vou
voando
04 junho, 2015
22 maio, 2015
chumbo trocado não dói
André grita comigo.
me bate me arranha me puxa o cabelo
eu nem ligo
ele entra em êxtase e eu sou a sensatez
alguém precisa olhar o cachorro amarrado no poste
ele vai correndo
eu engatinho
me bate me arranha me puxa o cabelo
eu nem ligo
ele entra em êxtase e eu sou a sensatez
alguém precisa olhar o cachorro amarrado no poste
ele vai correndo
eu engatinho
01 maio, 2015
sabichão
ele sabe ser um idiota como ninguém. ele sabe. ele sabe ser um babaca prepotente grosseirão e acha que pode vir fazer e acontecer e que todos têm de vir a ele e que o mundo gira em torno dele e que ele é o dono da razão e de toda a cartela de cores de sentimentos. ele não é o dono da dor. ele não é o dono da raiva. ele não é o dono da angústia, do inconformismo.
ele vê mas não enxerga, ele age e não pensa, ele cala e não mede, ele faz e não crê. ele faz que não entende.
meu caro, veste sua carapuça de camurça que lá no cartório sobrou uma culpa pra você também.
26 abril, 2015
quinze horas
oito horas.
céu e chuva e um guarda-chuva a guardar minhas lembranças.
o sapato molhado é o menor dos calafrios.
vem silêncio, vai afago.
mais uma vez oito horas.
o luar fez-se sol.
o tempo dita o pensamento.
olhares de soslaio atropelados,
guimbas ansiosas por todo lado.
tomo estrelas no café da manhã.
meu dia tem quinze horas.
céu e chuva e um guarda-chuva a guardar minhas lembranças.
o sapato molhado é o menor dos calafrios.
vem silêncio, vai afago.
mais uma vez oito horas.
o luar fez-se sol.
o tempo dita o pensamento.
olhares de soslaio atropelados,
guimbas ansiosas por todo lado.
tomo estrelas no café da manhã.
meu dia tem quinze horas.
24 abril, 2015
céu
"só mais três minutos, eu não disse.
desejei a escada sem fim e não quis que se fosse nunca mais. tendo a prolongar. e mudar o tempo. ele corre ali.
eu me senti impotente e cru, não sabia por onde começar. menino. é muito medo.
fui dois. fui milhares. fui e voltei e fui e estou de volta dando voltas nas ondulações e desenhos. na pele branca. no rubor. como é. sintonia e sinfonias que a gente não reconhece, palavras favoritas. fui lua, fui céu. fui."
21 abril, 2015
papel amassado
"Dora pode ter sido a chave que deixei cair pelo ralo. algemado fiquei. talvez ela não tivesse acrescentado muito na minha vida material, tenho uma certa certeza disso. ela nunca quis muito com o mundo. mas parte de mim ficou lá com ela. uma parte que eu precisava descobrir. que merda! eu só precisava dessa parte para seguir meu caminho. não de Dora, mas do pedaço."
ele havia escrito isso numa folha de papel amassado, com um pedaço de lápis carcomido que havia na bolsa. ele ficou se perguntando sobre a vida. tempo voou e Dora ele viu. porra nenhuma, meu caro, porra nenhuma. o pedaço não está em lugar nenhum senão nele mesmo. é muito fácil depositar responsabilidades.
ele havia escrito isso numa folha de papel amassado, com um pedaço de lápis carcomido que havia na bolsa. ele ficou se perguntando sobre a vida. tempo voou e Dora ele viu. porra nenhuma, meu caro, porra nenhuma. o pedaço não está em lugar nenhum senão nele mesmo. é muito fácil depositar responsabilidades.
19 abril, 2015
mar
peixe nada peixe anda peixe vive peixe bóia peixe erra peixe gosta peixe acorda peixe ama peixe quer peixe tem medo peixe vem peixe voa peixe nada peixe nada nada peixe não hesita peixe chora peixe afaga não afoga e peixe vazio o pensamento peixe nesse mar peixe.
12 abril, 2015
11 abril, 2015
10 abril, 2015
01 abril, 2015
é mentira
eu ainda estou muito longe de descobrir respostas. isso é complicado...
talvez precisássemos de um tempo até você entender o que se passa comigo.
acho que criamos muitas verdades absolutas. não é bem assim. eu não sou quem você conhece. não sou tão perturbada! mas algo me prende cá dentro, que não me deixa me achar. há uma mulher dormindo aqui. por fora, menina. muito sensata, mas que mal sabe o que faz. ela sempre foi muito paradoxal. open your mind, little girl.
preciso escrever para Augusta. e preciso de respostas.
escrevo, percebo alguém atrás de mim bisbilhotando. percebo uma, duas, três vezes. sou sempre eu, tentando descobrir meus segredos.
talvez precisássemos de um tempo até você entender o que se passa comigo.
acho que criamos muitas verdades absolutas. não é bem assim. eu não sou quem você conhece. não sou tão perturbada! mas algo me prende cá dentro, que não me deixa me achar. há uma mulher dormindo aqui. por fora, menina. muito sensata, mas que mal sabe o que faz. ela sempre foi muito paradoxal. open your mind, little girl.
preciso escrever para Augusta. e preciso de respostas.
escrevo, percebo alguém atrás de mim bisbilhotando. percebo uma, duas, três vezes. sou sempre eu, tentando descobrir meus segredos.
06 janeiro, 2015
de vez em sempre
às vezes me deixo de lado
me largo
não me abraço
não me beijo
não sou
não sou e não ser de mim o que me faz?
o que se faz?
eu me volto
volto querendo carinho
chorando
me pedindo perdão
faço promessas
e acredito
acredito em minhas mentiras
me largo
não me abraço
não me beijo
não sou
não sou e não ser de mim o que me faz?
o que se faz?
eu me volto
volto querendo carinho
chorando
me pedindo perdão
faço promessas
e acredito
acredito em minhas mentiras
21 julho, 2014
08 junho, 2014
boa sorte!
sempre quis ser engraçado. e inteligente, mas o mais inteligente. o melhor em alguma coisa, qualquer que seja. quis ser naturalmente simpático, amigável e imponente.
não sou nada disso. ao mesmo tempo gosto de poder ser o que quiser na hora que me convém. mas também ao mesmo tempo não sei quem sou nem me recordo de quem já fui. as únicas imagens de mim são meus reflexos. e fotos. é triste não poder se ver fora dos próprios olhos.
levantei. olhei-me refletido no espelho e busquei autoaceitação. uns onze buracos na cara, um nariz que me incomoda, um dente a menos - por enquanto - e bochechas. puta que pariu. eu invejo o amor próprio.
tirei fotos para a posteridade. temo não lembrar de minhas características, até das que mais desprezo. provavelmente também por isso escrevo.
mas antes de escrever, fui ler. fui ler o que já escrevi e as migalhas que deixei cair aqui. e é nessas horas... ah, nessas horas! nelas eu mais me detesto. eu me enojo. não é justo comigo.
não sou nada disso. ao mesmo tempo gosto de poder ser o que quiser na hora que me convém. mas também ao mesmo tempo não sei quem sou nem me recordo de quem já fui. as únicas imagens de mim são meus reflexos. e fotos. é triste não poder se ver fora dos próprios olhos.
levantei. olhei-me refletido no espelho e busquei autoaceitação. uns onze buracos na cara, um nariz que me incomoda, um dente a menos - por enquanto - e bochechas. puta que pariu. eu invejo o amor próprio.
tirei fotos para a posteridade. temo não lembrar de minhas características, até das que mais desprezo. provavelmente também por isso escrevo.
mas antes de escrever, fui ler. fui ler o que já escrevi e as migalhas que deixei cair aqui. e é nessas horas... ah, nessas horas! nelas eu mais me detesto. eu me enojo. não é justo comigo.
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