14 setembro, 2010

eu sou tão igual que chega a me dar náusea. sempre a mesma dor, os mesmos diálogos, as mesmas lágrimas e as mesmas frases feitas. sempre mesma merda.

13 setembro, 2010

repara

pactos repentinos
dor repentina
de repente
repete
repetente
repentinamente

11 setembro, 2010

contido

Um tiro de repente. O peito sangra.
- Não há, não há... Não há mais nada. Não há mais jardim, não há mais rosas, borboletas. Nenhum pássaro a cantar pra ti. Nem sequer uma mísera gota de orvalho das tuas flores. Tudo está seco, inclusive teu rosto. Tu não te reconheces mais e mal consegue levantar tua cabeça para encarar o espelho.
- ...
- É a tua realidade agora.

04 setembro, 2010

Sábado (des)conexo

Sujo sujo sujo vadio arredio vagabundo parado só só e cada vez mais e mais e mais sem nada com aquela vontade filha da puta de passar a noite num pé sujo qualquer ouvindo um samba qualquer olhando uma mulher qualquer ou quem sabe um desses caras quaisquer toscos pés de valsa que te conquistam com um piscar de olhos e você finge que não quer nada só pra inflar seu ego ou então se der sorte arruma alguém que te leve pra passar uma noite maravilhosa num quartinho bacana com ar-condicionado e você acorda com seu coração condicionado e apertando de orgulho dessa carinha bonita ou então você só vai continuar ali sentado na mesa sozinho a fumar uns quinhentos mil cigarros e voltará pra casa na tarde seguinte tosse tosse tosse tosse parecendo que o pulmão vai saltar arranhando a garganta e pedirá um café quente e um pão com manteiga na ilusão de tentar aliviar a dor das incontáveis garrafas de cerveja que você matou e do pó e de tudo o que você não lembra ter tomado na noite inteira que foderam todo o seu organismo mas pelo menos você tá vivo rapaz e vai poder deitar no colchonete rasgado daquele quarto sujo sujo sujo e sem nada só um monte de papéis amassados e canetas e bitucas e cacos de vidro e vida e amor e lágrimas e aquela dor que você tanto inventa e mais um monte de coisas espalhadas que você nem lembra que existem mas você vai dormir em paz.

26 agosto, 2010

- Pára com isso, porra, fica quieto que tu não tem nada a ver com isso, aliás, tu não devia nem estar aqui. Tá pensando o quê? Que pode alguma coisa? Tá achando que pode chegar e fazer o que tu quiser assim, sem mais nem menos? Não pode não, rapá, e tu devia se envergonhar, sabe por quê? Porque isso é pura sacanagem que tu faz. É, é sacanagem e falta de vergonha nessa tua fuça. Falta de dignidade, de humildade. E tu nem faz ideia de como tu machuca os outros com esse teu bagulho, toca o 'foda-se' e pronto, né... Acha que tá bonito, que tá bacana? Não tá não, cara, não tá não. Tu devia pelo menos abaixar essa tua cabeça e olhar pro cara que tá lá na merda por tua causa. Mas contigo é no 'foda-se', né, se o teu tá seguro tu nem se preocupa e cai fora. Mas se prepara, rapá, porque um dia tu vai ter o teu troco. Isso não vai ficar assim não, a vida vai te dar um balanço daqueles, tu vai ver. Esse tipo de coisa não fica no barato não.

24 agosto, 2010

Inachável procurado (e neologismo)

- Não sei cadê - murmurava.
Andava de um lado para o outro, investigava cada canto do quarto. Debaixo da cômoda, da cama, entre os livros caídos na estante... E só havia poeira, cada vez mais poeira. Narinas entupidas, cansado, morrendo de vontade de deitar na cama e só acordar na noite seguinte, mas não podia se dar por vencido. Então respirou fundo e tirou cada gaveta do criado-mudo e debaixo do colchão e atrás das cortinas e revirou os móveis e o lençol da cama e até a fronha do travesseiro e não aguentava mais aquilo tudo e precisava desacelerar e se jogou na cama. Ufa.
- Deus, onde está?
Seu corpo dolorido, as orelhas zumbindo. Não pode nem perceber a chegada do seu companheiro.
- Posso ajudar?
- Ah, seria ótimo!
- Nessa bagunça toda acho difícil encontrar alguma coisa.
- Pois é... Tanto que não encontrei até agora.
- E o que é que você tanto procura?
- Eu... Eu não sei.

21 agosto, 2010

Despercebido (e pulinhos)

Passou tão rápido...
Nem percebi.
"Tristeza nunca mais..."
Nunca mais?

Minha melancolia puramente artificial
arteficial
inventada.
"Eu sei, não é assim..."

Não só uma,
Todas elas passando muito muito muito muito rápido e nem duas palavras eu escrevi.

Faltam só cinco de trinta
Os outros vinte e cinco passaram como
Beija-flores, que nem sequer me beijaram.

Mas eu já preenchi metade inteira da folha
E nem percebi
Pulando linhas sem nexo algum.
Até que é divertido
Pareço pular
De uma janelinha
para outra.

A música acaba mais uma vez
"Mais uma canção".

17 agosto, 2010

3algumacoisa

Eu nem sequer olhava o mar, percebi.
Cabeça noutro lugar.
Arco-íris!
Concentra!

Aí você cruza os dedos.

12 agosto, 2010

nada

E era misto
De loucura
Um alucinógeno
Intergaláctico
Uau
Viagem
Era amor
Era gozo
Era vida
mas não era nada
Era só

balancê

Vai pra lá e pra cá. Minha cabeça não fica no lugar.
Curvas sinuosas, teimosas.
Já estou ficando um bocado cansado de todo esse ziriguidum.
- Vê se para de tremer, trem doido!


À minha vida tão insana.

11 agosto, 2010

Sonho

Já era tarde.
Abria meu armário para procurar um pijama quando percebi um pequeno feixe de luz no cantinho. Estranho... Tive certo receio de ver o que era, mas não pude resistir. Minha curiosidade era tanta que acabei entrando e tropecei na fechadura da segunda porta, caindo na gaveta. Limpei a poeira de meus braços, analisei o local. Notei o brilho vindo do pequeno tão grande relicário, já esquecido lá no fundo. Cheguei perto, concentrei minhas forças e abri a tampa.
Então me deparei com um enorme corredor azul e não tive mais medo de seguir em frente. Uma nuvem de poemas cercou minha cabeça. Encantei-me. Pisava cuidadosamente em fotos, cartas e chutei alguns bilhetes sem querer. Alguns papéis de bala também grudaram no meu pé, mas nada de mais. Continuei.
Uma canção tocava tão bonita que me arrancou uma lágrima. Senti saudades quando percebi que não era mais naquele mundo que eu vivia. Já não era mais a pessoa que havia assinado aquelas cartas que não foram entregues, nem tampouco a pequena e graciosa menina de quem aqueles corações inocentes tanto falavam. Aperto no peito, agora muitas lágrimas salgadas.
Olhava fixamente para aquele céu repleto de pedaços de mim. Respiro fundo - Ai, vontade de... ah... ah... ATCHIM! - Espirro forte que me fez saltar, caindo num buraco e aahhhhhhhhhhh...

Sacudo a cabeça. Acho que sonhei. Ufa, tenho medo de altura.

3h46 da manhã. Acabo de voltar à sala. Ligo meu computador e escrevo esse texto bobo. Só pra não me esquecer de lembrar mais. Boa noite.

09 agosto, 2010

Poesia minha

Hoje a poesia abriu seus braços e me colocou no colo, me acolheu e deu de comer.
Hoje a poesia enrolou seus dedos em meus cabelos, me cobriu de beijos, satisfez meus desejos.
Com toda calma, trouxe de volta minha alma lá de longe, de onde eu não podia avistar.
Ela me fez sonhar de novo.
A poesia abriu meus olhos e passou as mãos levemente em meu rosto. Dessa vez eu só queria pedir que ela não fosse mais embora.
Eu finalmente conheci a poesia. A poesia que é amor, que é tesão, que é raiva e lágrima.
A poesia abriu meus olhos para que eu pudesse abrir meu coração.
Ela é poesia.

30 julho, 2010

bilhetinho

Nega,
Vim avisar
Que eu tô indo embora
Pro meu cantinho

Não sei se volto
Mas venho visitar
Quem sabe...

22 julho, 2010

gracioso

hoje tenho um sorriso.
no peito corpo inteiro.
fecho o olhinho assim, miudinho

19 fevereiro, 2010

Se houver um céu, que este seja seu destino. Que o tal paraíso faça jus ao nome. Que, sorridentes, abram as portas só pra você entrar.
Se houver um céu, que você descanse na nuvem mais macia. E que possa olhar pra cá sempre que quiser.
Onde você estiver, ainda estará comigo.

Tenha bons sonhos, meu caro.


Ao amigo Romulo Fritscher.