21 julho, 2014

a tristeza é uma coisa muito doida porque se abre uma porta nem que seja pequena uma portinha entreaberta ela logo entra sem pedir licença. mal educada essa tristeza

08 junho, 2014

boa sorte!

sempre quis ser engraçado. e inteligente, mas o mais inteligente. o melhor em alguma coisa, qualquer que seja. quis ser naturalmente simpático, amigável e imponente.
não sou nada disso. ao mesmo tempo gosto de poder ser o que quiser na hora que me convém. mas também ao mesmo tempo não sei quem sou nem me recordo de quem já fui. as únicas imagens de mim são meus reflexos. e fotos. é triste não poder se ver fora dos próprios olhos.

levantei. olhei-me refletido no espelho e busquei autoaceitação. uns onze buracos na cara, um nariz que me incomoda, um dente a menos - por enquanto - e bochechas. puta que pariu. eu invejo o amor próprio.
tirei fotos para a posteridade. temo não lembrar de minhas características, até das que mais desprezo. provavelmente também por isso escrevo.
mas antes de escrever, fui ler. fui ler o que já escrevi e as migalhas que deixei cair aqui. e é nessas horas... ah, nessas horas! nelas eu mais me detesto. eu me enojo. não é justo comigo.

24 agosto, 2013

em boa companhia

veja só: desfruto do mais delicioso sabor das coisas. tenho uma mulher bonita, amigos poucos - 'inda bem! pai-mãe-irmã-tio-tia-vó-primo-cachorro-papagaio-gato-periquito. eu tenho tudo. tenho fé, pé, mão, olho e respiro - repito.

agora faz-me rir, faz-me ver, cara. cara porque você é um malandrão como eu... assim fica mais fácil te aceitar na minha vida.

tenho vida de rei e não quero nem entrar no ônibus? a janela não garanto, mas a viagem... eu pego sim.

21 julho, 2013

domingo

esse ambiente desconfortável. a mulher que foi pra rua. suor nas articulações. silêncio que eu não suporto. música de sobriedade, o gato se espreguiça e faz barulho. barriga grande de tanta porcaria mas o nariz respira, todo o resto funciona. o barulho de chaves já vem roubar minha solidão. pé balança no ar um ritmo entrou no lugar da calmaria. cabelo secando sozinho. nada no lugar, desenhos atrasados e roupas amassadas que nem ferro dá jeito. acabou o perfume. passou desodorante gelado. frase nenhuma faz sentido mas já se sabe que é assim mesmo. só uma toalha, a da semana passada na cadeira. troca a música chata. ela liga, cheia de gente. ainda bem, tá voltando. ufa. todo dia um muito dela e é assim que quero ser quando crescer. preciso aprender a renovar. reencantar. sei que não existe. obrigada pelos quatrocentos e seis. esse era o final já escrito. em tudo sempre comecei pelo fim. um pedido: que toda essa bagunça seja abençoada.

10 junho, 2013

de passagem

Já faz um ano, amigo, já faz um ano! Já faz um ano e eu nem escrevi isso hoje! Mas eu precisava vir te contar... Tanta coisa mudou... Mas eu não tenho tempo e preciso ir, vou ver João. É, aquele mesmo ainda, espero que sempre. Estamos bem, estamos jovens e alma idem. Preciso mesmo partir. Deixo-te um sorriso e uma boa lembrança de mim. Vê se te cuida, não esquece de mim! Quando der eu volto!

12 maio, 2013

encontro

Outro dia encontrei André. Estava muito diferente. Não o reconheci, mas ele veio ao meu encontro. Disse minha irmã, eu todo não sou mais eu. Mas que raios? Pensei quieta, mas depois entendi que ele matou uma parte de si - ou pelo menos calou - porque acho que passado a gente não pode apagar assim. Pois bem, pois bem...

28 março, 2013

bom dia, ano novo. é hora de varrer a casa.

15 novembro, 2012

fogos de marasmo e João

cento e cinquenta e oito dias e vivo. mais forte, (mas e mais) cheio de mim. gente grande acorda cedo, escova os dentes e vai trabalhar. quem diria...
João cuida muito bem de mim, e eu dele. tudo nos conformes. hoje fomos passear de bicicleta e eu respirei vida bem fundo. só pensava uma coisa: se morrer, morro o ser mais feliz do mundo.

20 setembro, 2012

fadiga nº1

Às vezes sinto-me tão asqueroso, arrogante, mal-educado. Esqueço-me quem fui e quem procuro ser agora. Monto toda uma imagem distorcida sem nem mesmo precisar de espelhos e, de repente, cá estou eu com cabelos desgrenhados, unhas mal-cortadas e um hálito péssimo. Sou incapaz de sair da imaginação. Imutável. Estaticamente grosseiro, impaciente, intolerante, preguiçoso. Preocupações dariam-me muito trabalho, pensar me estafaria. Sou quase pintura, num tom blasé - palavra que pouco me agrada. Sobrenome: fadiga. Porém, esse não sou nem posso ser. Disposição, homem. Vê se te olha. Exercício matinal de reconhecimento. Dessa vez tenho sono, sete reais no bolso, almoço na geladeira. Dessa vez não arde, não protela, não desgasta, não morre. Thanks, God.

20 julho, 2012

um novo encontro

Bom dia, minha irmã. Estou aqui, sempre estive. Apenas sou outro.
Um outro. São. 10kg a mais e menos barbado.
Só não larguei do cigarro, mas Carolina e toda aquela gente se mandaram. Tô aqui, sou eu e sou cheio de vírgulas.

27 junho, 2012

bom dia e o bilhete deixado

Oito da manhã, cheguei em casa e você não estava. Estranhei tudo em seu lugar, mais limpo do que de costume. Camas arrumadas, pratos lavados e até a samambaia viva. Mas o seu lugar, vazio. Dona Maria dizendo que não te via há uma semanas apertou meu peito, mas não me desesperei. Creio que você saiba do seu melhor.
Eu só sei que eu tô de volta, meu velho. Queria poder te contar a minha história e como eu não aguentei ficar do lado de lá. Fiz o retorno numa estrela que sorriu pra mim e me lembrou das coisas boas. Estrela... De tão brilhante está mais pra constelação. Você iria adorar conhecer João. Ou melhor, você precisa conhecer João. Ele deve vir aqui, só não há certeza de quando você volta. Será que volta? Bom, não deixarei de escrever meus bilhetes diários pra colocar debaixo da porta trancada do seu quarto. Olha, meu amigo, eu vou te esperar o quanto for necessário.
Fica em paz, onde quer que você esteja.

13 junho, 2012

limpa

olha, eu não queria fazer drama. você sabe que não. desde o dia em que não vi mais o seu reflexo no imbecil do espelho retangular do meu quarto eu não sou mais eu. talvez eu tenha perdido meu nome. eu acho isso um tanto piegas e demorei três dias para pegar no papel.
você se foi e eu estou cinco quilos mais magro. estava sem banho, cabelo desarrumado. eu estava desajeitado como nunca. hoje tive febre mais uma vez e meu corpo pediu seus olhos me velando por dentro. liguei o chuveiro e lá fiquei por uma hora e quinze minutos. tentei te lavar de mim e tirar toda essa doença de mim. mas só tive a mulher de pele branca que não me larga. eu só tive ela.

10 junho, 2012

carta não entregue

Escrevo essa a carta a um velho amigo, outrora amante, mas que sempre significou algo que eu nunca soube identificar. Por ele tenho um puro carinho. A ele, que sofreu minhas angústias, que se viu enganado por mim mas nunca deixou de me afagar; a ele, que capturava os ângulos mais bonitos, até mesmo os que eu nem sabia que existiam em mim.
Manoel, homem de essência poética, sutileza e fervor. Eu sempre o admirei. Por sua beleza, inteligência, destreza e também por caber em meu abraço. Talvez nunca tenha dito. Não, não disse.
Lembro de todas as vezes que o vi, esnobei, amei, magoei, enganei. Manoel não nasceu para ser tratado de tal maneira e de repente por isso a vida lhe deu logo um novo amor. Um amor que espero ser à altura do que ele merece, que o complete e o faça se sentir mais vivo todas as manhãs. Eu me conforto com isso e fico grato.

Eu queria poder te falar, Manoel, mas ainda não sei exatamente o quê. Eu queria poder te fazer um filme com tudo o que aconteceu que você não presenciou. Eu escondi o que tinha de mais bonito e não permiti que você fizesse parte de mim, Manoel, mas você conseguia saber e dizer o que eu sentia sempre. E eu nunca soube como você fazia isso.

Sorrio, Manoel, por te ver sorrindo hoje. Pleno, como eu queria. E como você será sempre, deus queira... Ou aquele cara que você inventou uma vez, tanto faz.
Reli suas cartas hoje e por isso escrevo. Porque hoje entendi que você enxergava mais longe do que eu imaginava. Como pude não notar? Eu sei a resposta, você também, e me sinto tão orgulhoso em afirmar que nada daquilo faz parte de mim agora, e não foi fácil. Custei a largar do pé de Carolina e também a aceitar que não poderia mais vê-la. Ela me destruiu pouco a pouco em pouco tempo. Chorei, Manoel, chorei muito. Tremi, contorci, quis desaparecer. Mas valeu a pena no fim das contas. Ainda vale. Eu queria que você estivesse aqui pra ver.
Hoje me proponho a ajudar outros caras e isso me faz vivo. Hoje amo, sorrio, choro, sinto, leio, estudo, produzo, crio e faço arte - como criança. Receio não te ver mais por aí, mas guardei algumas partes suas que você semeou por aqui. Fico com essas lembranças de um grande amigo e venho lhe pedir um sincero perdão por todas as vezes que feri seu coração. Não quero mais me sentir o pior dos caras e por isso me comprometi a me desculpar com os que machuquei. Você foi o principal deles, além de mim - mas eu já me perdoei. Portanto, perdoe-me, Manoel, pelos venenos que te fiz tomar por tabela. Perdoe-me, Manoel, por cada vez que te fiz sofrer. Você merece essa vida toda e muito mais.

Um grande abraço com muito carinho.

02 junho, 2012

desanoitece eu só queria ir embora já estou varrendo meus pedaços por aí e por favor não me encontrem mais porque eu não consigo entende - eu não consigo mais. ninguém sabe de nada nem vai saber porque é tudo uma farsa. ninguém acredita mais.

27 maio, 2012

e de repente um adeus

André,
bom dia. ou tarde.
droga, não sei começar isso. olha, eu sei que ficamos muito íntimos de primeira, desde aquele dia histórico. doze do doze de dois mil e dez. só faltava ser doze. anoitecia e eu não dormia. e aí você apareceu. prazer, André. eu te sorri como não faço com ninguém. seu nome é tão feio, mas você é tão bonito... depois que eu me toquei a merda que tinha falado. você é ridícula e demos um abraço, rindo de nós mesmos. não havia lugar para silêncio. somos diferentes pra caralho mas temos tudo a ver foi o que dissemos, lembra? de repente no dia seguinte você já tava aqui em casa e todos os dias e sempre e desde então você nunca mais me deixou. você podia ser meu amigo pra sempre, né como criança boba. a gente sempre conviveu muito bem junto, você com seu jeito hard que eu sempre reclamei, e eu aqui na minha vida confusa e incoerente que você nunca entende. eu queria poder mostrar o quanto você supriu meu vazio. e por muito tempo, mas eu nunca tive coragem de dizer isso face to face, como você sempre fala. 
sabe, cara, talvez isso não tenha sido muito bom. André, eu acho que virei você. eu não tô maluca.

talvez eu tenha lido demais aquela peça que você me pediu ajuda, aquela que você e as meninas estão montando. que aliás, é ótima! eu queria estar aqui pra te ver em cena. tenho certeza de que vai dar tudo certo, vê se bota fé.
você já deve estar se perguntando onde eu estou. eu não fui dar aquela volta de sempre no quarteirão nem estou trancada no quarto. olha, André, me perdoa...
eu fui embora. não é por mal, eu juro, confia em mim? é tudo o que preciso. eu não vou estar mais aqui pra ver, então vou acreditar que você entendeu a frase ali de cima porque eu não vou me explicar mais. eu sei que não dá mais pra continuar aqui.

eu tô deixando a casa pra você e a grana de três meses de aluguel dentro daquela gaveta da cozinha, a que é difícil de abrir. eu queria te pedir pra tratar dos bichos e da samambaia. cuida do que é nosso por mim. vê se não esquece dos seus remédios e diminui esses cigarros, não quero ter de enterrar você. repetindo-de-novo-mais-uma-vez, por favor, não se drogue, eu já te pedi isso um milhão de vezes, quem sabe nessa você escuta. mais avisos: pelo amor de deus, André, tome conta de você e tenha MUITO cuidado com essas pessoas que você arranja nessa vida, principalmente Carolina. depois abre teu olho com a Dora e o Igor. quanto a Catarina, larga dela, cara! deixa a garota viver. ah, e vê se joga fora aquelas fotos do Tadeu, eu não joguei porque sou muito legal contigo. bom, se liga, cara. eu tô confiando em você. eu queria estar em casa quando você acordasse - se é que você dormiu essa noite. mas você nunca me deixaria ir e eu perderia a coragem. eu preciso ir agora senão eu perco meu ônibus, não posso prolongar essa conversa.

não tente saber pra onde eu vou, deixa que eu escrevo daqui um tempo.

com amor,
Luíza