15 setembro, 2011

Numa reta e o cigarro pela metade que caiu no chão

- Ando por aí querendo conversar comigo mas não me escuto. Nem sei onde é, já são três horas e eu tô na mesma.

Sei não...

E essa poesia toda que você me dá com os olhos?
Abre o sorriso bonito, perfil desenhado numa folha de papel e um nada completo no meio do pátio.
Uma e meia da manhã.

17 julho, 2011

Frio

Às vezes acho que estou abandonando tudo. Se já não o fiz. Não. De poeira a gente faz um céu. Não tão bonito, mas faz. Não esqueço de nada, mas há egoísmo o suficiente para ficar aqui. Casulo. Do qual eu não quero sair - e algumas vezes não consigo mesmo.
Manhã de quarto escuro e som infindável na cabeça desde a noite quando tentei e não consegui cerrar os olhos.
Inferno meu...

22 maio, 2011

um pouco mais de cérebro, em minúsculas

não entendo talvez nunca consiga. senti falta dos sem rumo e das cachaças da vida e descobri que isso aqui não combina nada comigo no momento e eu queria pintar tudo tudo tudo tudo de preto e cinza como antes mas não! já que tanto trabalho me deu desfiar todas as entranhas e aqueles fios pretos presos me lembrando de como eu queria ter sido o amor da vida delas e que elas chupassem o chão por minha causa mas não se pode fazer isso. Morrisey pra mim não é ninguém porque eu prefiro cantar à luz da lua como hoje e ver lantejoulas sorrindo pra mim ao desafinar naquele refrão e eu paro e abraço o ombro ali que não entende mais nada e ao mesmo tempo entende tudo de cada feixe de luz que sai dos meus olhos - nossa não me lembrava mais como era bom fazer isso e eu sempre penso que aquele escritor escroto deve estar se debulhando ao ver que todo mundo tenta fazer que nem ele mas isso é só um jeito de se livrar de tudo e não é nada disso. não é nada disso. não há controle de absolutamente porra nenhuma - olha como é bom escrever porra! eu quero murros murros murros na parede por te odiar o jeito escroto que você tem e eu me vingo com aquele veneno de rato sangrento que eu comprei na mercearia aqui embaixo depois de tantas frustrações estúpidas e asquerosas tentando colocar a porra da sua mente no lugar tirando a porra da minha da minha própria cabeça de merda. de merda.

Lua

- Eu tenho medo. Tenho medo de me afogar
- Mas você não sabe nadar?
- Sei
- Então como se afogaria?
- O que tem uma coisa a ver com a outra?
- Tudo
- Não tem nada a ver
- Não?
- Você não sabe o que é mergulhar
- Hahaha... Você só pode estar brincando
- Deixa, eu vou embora
- Mas... Calma! Por quê?
- Você não me entende
- Nossa, o que foi que fiz?
- Nada, você só não é do jeito que eu queria
- E tudo tem de ser exatamente do seu jeito?
- Sempre.
- Muito mandão, hein...
- Desculpa
- Vem ver as flores!
- Gosto mais desse azul aqui
- Vem!
- Já disse que não
- Você não era assim
- Sempre fui
- Não comigo
- É o contrário. Sempre fui, mas não com você
- E o que há agora?
- A lua mudou de lugar, só isso
- Promete?

17 maio, 2011

Volta

Oi!
Só pra avisar que tô voltando. Devo chegar uns dois dias depois que você receber esta carta. Espero ainda te encontrar aí. Quero que você veja como eu tô mais bonito, mais bem cuidado... Vai se orgulhar de mim!
Aprendi um monte de coisas aqui, tô louco pra te contar tudo. Tô morrendo de saudades das crianças, devem estar enormes! Manda um beijo na testa e diz que eu tô chegando.
Me espera!

Beijos,
André


Obs.: Acho que nunca vou perder a mania de fazer cartas para chegarem antes de mim.

24 fevereiro, 2011

Fui.
Fomos.
Quem sabe um dia eu volto pra sorrir. Ou não.

13 janeiro, 2011

Flores mentais

É nessa hora que me pergunto pra onde vão todos os beija-flores. Faça-te minha que eu me envio por encomenda. Tua. Mas quem?
Guarda no bolso pra não perder, tenha cuidado. Com carinho.
Leva assim. E não se esqueça de olhar os passarinhos cantarem na janela, acordando cada par de olhos que levantam da rede.
Eu já nem sei mais o que é isso, mas sempre acontece.

Um beijo e um abraço

Sempre gostei das tardes.
Nubladas, de preferência. Ou então aquelas ensolaradas de vento fresco.
Cães pintados de preto, fúria agora seca e desbotada pelas mãos do meu bem.
- Bem, bem, benzinho... Vê se me leva agora que eu não quero mais mudar de ideia, não. Vamos pelas curvas mais sinuosas! Pega o caminho mais longo que eu não quero chegar logo.
O nariz toca a janela, rosto encostado pra sentir todo o ar bater.

Fui.
Fomos.

12 dezembro, 2010

ontem eu conheci um cara legal e o nome dele é André. ele veio morar aqui.

11 dezembro, 2010

E tudo meio tudo

- Acho que apenas três linhas bastam, só não sei por quê.
- Também não, mas vou obedecer.
- Você confia tanto assim, é?
- Não posso?
- Não disse isso.
- Ok. Não deveria confiar?
- Também não foi isso.

(Campainha)

- É uma pena.
- Por quê?
- Você sabe.
- Não, não sei.
- Caramba!
- Caramba digo eu... Acho que não estou mais entendendo nada.
- Eu nunca disse que era pra ser entendido.
- Eu adoro seu excesso de verbos nas frases.
- Eu sei...
- E esse jeito convencido.
- Ah, para! Assim você me deixa na obrigação de responder algo legal.
- Claro que não.
- Claro que sim!
- Não, você pode apenas sorrir e aceitar.
- Não é tão simples.
- É sim, você que adora complicar as coisas.

(Campainha)

- Que palavras são essas?
- Não sei, estão vindo.
- Brainstorming?
- Acho que sim.
- Você sempre foi disso.
- É, desde pequeno.
- Eu gosto dessa falta de sentido.
- Lá vem você de novo...
- Não posso falar mais?
- Não disse isso.
- Eu odeio quando você diz que não disse algo quando, na verdade, disse exatamente aquilo.
- Isso me pareceu confuso.
- Odeio quando você muda de assunto assim.
- Uma hora gosta, outra odeia... Bipolar você, hein.
- Odeio quando você aponta meus defeitos.
- Ai, como eu gosto disso.
- Odeio esse seu ar de deboche.
- Afinal, do que você gosta em mim?

(Campainha)

- É, acho que perdi.
- O jogo?
- Não, as contas.
- Mais dez minutos e não precisaremos mais pagar a pizza.
- Que cabeça, hein.
- Para de reclamar de mim, parece que você só sabe fazer isso.
- Você não detesta quando eu elogio?
- Não disse isso.
- Chega!

(Campainha)

- Droga! Dois minutos...
- Pega os trinta reais ali em cima da mesa.

(Silêncio)

- Calabresa?

10 dezembro, 2010

Telegrama

ESPERO NOTICIAS PT NAO DURMO DUAS SEMANAS PT NAO AGUENTO MAIS PT
MARIA

30 novembro, 2010

Tu

- ...
- Alô, Pedro?
- ...
- Pedro, meu amor, é a Maria! Recebi a carta, Pedro, e nem sei como eu consegui esse telefone! Eu só queria ligar pra ouvir sua voz e pra te dizer que vai ficar tudo bem por aqui. Quando você volta, querido? Tô morrendo de saudades, sabe... Saudades de fazer aquele feijãozinho com beterraba batida que você tanto gosta, de enrolar meus dedos em seus cachos enquanto você me conta sobre o seu dia... Ah, várias coisas! Vai, me diz logo quando é que você volta!
- ...
- Para com isso, meu bem, para! Tá me deixando aflita! Onde é que você tá? Vai, me conta que eu vou aí correndo te buscar, você deve estar louco pra deitar na nossa cama quentinha, não é? Tirar os sapatos apertados e resmungar de dor... Hein, querido?

Tu
Tu
Tu
Tu
Tu
(...)

22 novembro, 2010

Despedida selada (por Clara Mello)

Um dos textos mais simples e bonitos - ao mesmo tempo - que já vi. Postando com muito orgulho dessa minha pequena não-mais-tão-pequena-assim-que-sabe-muito-bem-caminhar-com-suas-próprias-pernas. Dei-me o luxo de fazer algumas pequenas modificações.

"Maria,
To indo embora.
Por motivos que você não entende e ninguém entenderá.
Tem muito tempo que eu to indo, e você nem me viu ir...
Mas agora é de vez!
Quando 'cê acordar, eu nem vou tá mais aqui. Já vou tá longe... E ai não tem mais volta.
Nem precisa responder a carta, nem precisa chorar nem nada, nem precisa notar que eu fui, tá?
'Cê sabe, vão dizer que eu fui embora por causa de outra, que fui embora porque não te amo, que fui embora porque não valho nada. Mas 'cê sempre foi diferente dessa gente, e vai entender que eu fui simplesmente porque precisava.
Meu coração tem dessas coisas, Maria. Às vezes parece que vai explodir dentro do peito, arrebendando os botões da camisa. E ai eu preciso correr pro mundo...
Eu não sei pr' onde vou, não sei mesmo, Maria.
Mas vou descobrindo, não carece de preocupação.
Se perguntarem por mim, só ri. Não dá brecha pra esse povo fazer intriga dessa nossa despedida tão bonita.
Por um tempinho eu não vou dar notícia. Mas se você não mudar de endereço, quando meu coração afrouxar dessa angústia, eu te mando outra carta.
Maria, tem tanta coisa que eu acho, tanta coisa que eu queria saber. Mas nada se compara à quantidade de coisas que eu sei que eu não sei.
Não sei é a ânsia de descobrir essas coisas, ou só a agonia ruim de não saber mesmo. Maria, tá vendo, é sempre esse não sei.
Mas sabe, sabe bem, que quando eu tiver bem longe, ainda assim vou me lembrar do seus olhos.
E vou me lembrar também daquela noite que a gente achou que nunca fosse acabar.
Vou lembrar de tudo, mesmo quando eu já tiver botado o pé nessa estrada sem volta.
E você lembra de mim, se quiser. Que eu vou estar sempre pertinho da sua lembrança, se bater vontade de não me esquecer.
Vou sentir falta da nossa vontade do tempo não passar. Vou sentir muita saudade!
Mas Maria, saudade não é bem pra onde a gente quer voltar. É só a certeza de que foi bom estar ali.
E essa certeza me basta. Nos basta, não é?
Maria, vou indo. Que já passei da hora de ir embora e de chegar.
Despedace-me depois de ler essa carta, que o vento vai me desmembrar por ai. E eu tô mesmo precisando disso!
Perdoa esse meu jeito bruto e brusco de dar adeus, perdoa eu ter andado de fininho e agora correr feito louco pela estrada. Perdoa, Maria, esse meu jeito torto na vida!
Queria te pedir pra manter esse sorriso bonito e a mania de fechar os olhos antes de falar. Mas se quiser mudar, desejo que você se permita. Desejo que você seja livre, mais livre que eu...
Um grande abraço cheio de saudade.
To indo embora, Maria.

Do sempre(nunca) seu,
Pedro"

16 novembro, 2010

só às vezes

- às vezes eu te odeio tanto tanto tanto tanto tanto tanto mas tanto que me dá vontade de te ver todos os dias.