02 março, 2012

Manoel, você é foda, cara, você É foda. E sempre consegue me deixar encucado pensando se eu fiz alguma merda mas não eu não fiz! Pra quê? Pra que então?

01 março, 2012

Aquele cara

Ele tinha toda uma mania esquisita (além do nome que sempre parecia estar escrito ao contrário). Escrever cartas a desconhecidos era uma delas. Quando soube disso me apaixonei por sua loucura de jovem-adulto-viajado-certo-do-que-quer-da-vida. Às vezes o invejava. Era do tipo que tinha tudo pra ser maluco drogado largado de esquina mas não era nada disso e talvez esse ponto me incomodasse mais que os outros - eu sou engraçado pra caralho em conflito com meu gosto que fede a ovo podre.
Lembro-me que do dia em que juntos jogamos purrinha pra ver se o tempo passava e passou, passou tanto que não mais o vi. Ouvi dizer que estava em outro país casado com um cara ou uma mulher, não quis me aprofundar. Só sei que num dia qualquer outra hora qualquer me chegou uma carta e eu sabia que eu não era um desconhecido. Era mesmo minha. Ele dizia que estava em minhas terras então tive lá por trás das orelhas uma coragem desconhecida, assumi o papel de seu destinatário e lá fui eu a seu encontro.
Então de cima de uma pedra eu vi o sol brilhar bonito como não fazia há tempos e o dia inteiro passei com os dedos cheios de areia na água gelada onde mora a rainha. Ele banhou-se como criança no mar, tal qual nunca tivesse o visto antes.
Eu disse coisas sobre sonhos e fui embora mas voltei desleixado, canalha sem um pingo de vergonha na cara e escrevi versos mais uma vez. Tirei sorrisos e suor como se eu não fosse acordar e esperancei - eu o ouço me dizer isso dentro da minha cabeça. Rindo da sua voz fina da sua cor pálida e de quando espirrava que nem um rato - e mais tudo que me fazia brilhar.
Não sei que horas, ora, mas fui embora e dessa vez não foi com Catarina. Carolina, vadia, que me levou e eu não quis mais voltar e sei lá o porquê desse vexame todo, irmão - eu não vou falar dela, eu não vou falar.
Carlos. Às vezes Manoel. Sem mais delongas porque eu preciso dormir e eu já falei eu sei que já falei demais.

28 fevereiro, 2012

sobre viagens, existir e Tadeu

Sinto saudades de Tadeu. Velho de guerra, companheiro, gente boa que um dia fez meu estômago borbulhar de não sei o quê. Até hoje tenho alguns enjôos quando o vejo. Achou uma mulher não tão bonita - mas que me parece boa, apesar das minhas pulgas na orelha - se apaixonou e se mandou pra vida a dois. Ainda o encontro por aí tomando suas cachaças diárias e reclamando da vida. E lembro da viagem que fizemos eu ele mais um outro companheiro - também perdido por aí nas carreiras. Vezenquando tenho uma vontade enorme de dar-lhe um abraço daqueles que eu sempre guardei e de dizer o quanto dele eu tenho em mim. Sou grande parte Tadeu e não me entristeço porque foi o que ele deixou cair aqui, ficou meu. Um dia, uma semana e muitos livros. Um abraço. Ah, como queria mostrar a esse velho o quanto me ensinou sem precisar pegar uma cadeira, sentar ao meu lado e fazer prestar atenção. Não... Foi só. Só existindo.

27 fevereiro, 2012

Entre poeira vírgula - ou não

Pelo santo, Carolina, para com isso. Eu não tenho paciência pra você. Você me vem com esses papos de que está tudo bem, me chama de 'amor', diz que eu sou lindo-o-homem-da-sua-vida-e-só-comigo-você-pode-ser-feliz. Não fode, Carolina! Quem você acha que eu sou? Eu não preciso de você. Chega. Não devo me prolongar, vou tomar um café senão perco minha cabeça com essa conversa. -
Um café há dois dias parado na jarra gelado amargo pra caralho que eu tomei sem açúcar pra ver se desce e acaba com o doce da minha vida porque é disso que eu gosto e assim eu tenho toda a atenção que eu quero.
- E essas porras dessas formigas aqui na mesa? O que você anda fazendo? Deixa de ser suja, mulher, vá se limpar.
Ela com aquele seu vestido branco sujo rasgado desfolhado e a pele seca que ela descascava como alho no sofá. Eu senti meu coração bater na nuca e aquele calor dentro da minha calça preta de brim não me deixava pensar. Suor escorrendo na testa mas eu não deixava de olhar para Carolina e era exatamente daquele jeito que eu gostava dela e pensava, imaginava. Imaginava todas as vezes que ela me deixava sujo como seu vestido e me rasgava e era só eu e ela ela e eu e só.
- Eu te odeio, Carolina.

16 fevereiro, 2012

Tô carregando meu patuá, meu velho. Tô respirando, mastigando, andando, sentindo na pele cada gotinha de chuva que o sinhô faz cair. Tô me respeitando como eu havia prometido. Tô voando, rei.

Sobre rasgos

E de repente me vi caminhando, contente, calado pelas ruas daquele lugar sujo que tanto amo, cheio de gente que não sabe mais de onde veio, cheio de esperanças caídas pelo chão, blocos de cimento passando entre blocos de rua porque já é carnaval para os amantes. No relógio já era cedo e eu estava bonito como da outra vez.
A figura me veio como bala 38 no peito, rasgando seco a raiva junto com todos os meus órgãos, como se tivessem me tirado tudo o que tinha naquele exato momento e então eu só queria ir para casa.

Mas eu não morri, não morri.

14 fevereiro, 2012

- Caralho, meu amigo, porque eu não consigo largar de mão de vez? Claro que não, óbvio que não... Porra, cara, Catarina era foda! Catarina É foda. Mas ela é foda nos dois sentidos, sabe? Isso que é pior. Talvez nos três sentidos. Catarina é foda, é foda e é foda... Catarina é maravilhosa. Catarina é uma sem-vergonha! E Catarina é meu sexo... Eu tô fodido, cara.

09 janeiro, 2012

É, é foda porque você acaba virando cocaína e o estrago é exatamente o mesmo e foda-se se você não concorda mas eu perdi as minhas vírgulas de novo e olha só como eu tô agora enxugando as lágrimas com tapas nos olhos e espremendo a cabeça com as mãos como aquela pintura que eu esqueci o nome e socando pra ver se sai alguma coisa dessa merda e que ódio que ódio que ódio de mim mesmo que fico completamente fora do normal perto de você escrevendo sem concordância nenhuma pelo menos não quando passo os olhos pra ver como está mas você não sabe como eu sou obcecado por isso tudo e por essa dor e pelo gozo e pelos sorrisos de fim de tarde e puta que pariu CRISE DE ABSTINÊNCIA FODIDA você não pode aparecer de novo não agora não não não não agora pelo amor de deus que eu não tenho mais nariz pra você.

08 janeiro, 2012

‎Eu sumo, cara, eu sou assim. Sou sumido como moeda na areia. Desde pequeno minha mãe já dizia que eu queria fazer as malas e ir embora. E minha senhora hoje diz o mesmo. Sou passarinho, liberto, de gaiola aberta. E só assim posso escolher onde pousar, onde tecer meu ninho. Só assim posso voar dentro de mim.

02 janeiro, 2012

Hoje o mundo é azul

Duas da tarde do dia seguinte e me vejo nesta cadeira azul-royal que ofusca mais meus olhos que minha hipermetropia tão perto da tela. Quero nascer outro. Vejo-me turvo, sem paladar, sem alimento. Empanado em minha própria obssessão pela cura. E quero o retorcido, dobrado, curvilíneo, íngreme, sinuoso.
Eu quero o complexo porque eu sempre gostei do estrago e isso me lembra uma canção.
Dedico algumas frases a um grande amigo meu, pois sempre que o leio começo a palavrear e nem ele sabe como acho isso tão belo, tão... Especial? Não sei o que há em suas cartas nem nos seus livros que nunca consegui ler. Compartilhamos franceses e um pouco de cultura que eu já renego que exista em mim, não me enxergo mas talvez seja disso que eu preciso agora, entende?
E agora eu me levanto e vou à estante selecionar aquele livro de capa azul que há mais de ano me foi dado de presente e até hoje, nada. É azul. Azul, como a cadeira! Azul, a cor da contagem regressiva dos dez segundos de felicidade extrema ouvindo música de macumba e azul era minha roupa quando o conheci, olha só!
Fecho os olhos e lembro do tempo frio que fazia, onde os casacos não eram suficientes mas o café era de graça; o céu cheio de estrelas e nós deitávamos na grama pra assistir os shows à noite, com toda a poesia e o tabaco que merecíamos. Nesse meio tempo perdi as estrelas e palavras e poemas e autores e livros que prometi e obras mais pinturas sem trajeto nenhum e sem pincéis encharcados que manchavam aquarelas das mais variadas que fazia e pessoas recitando sonhos em meus ouvidos que já não escutavam mais nada.
Eu preciso de um banho, amor. Eu preciso de um banho pra ver se saem todas as vírgulas de minha alma porque já estou farto delas. Não quero pontos finais reticências dois-pontos muito menos hifens. Não quero mais controle e de viver assim, só, quero o ar que me oxigena para sempre.
Continuo a escrever de meia em meia hora sem saber ao certo sobre o que se trata a discussão de meus dedos. Agora só vou tomar meu banho. Meu café e meu cigarro também não pode faltar.
Meus dois amores dormem no quarto ao lado. Às nove estou de volta.

31 dezembro, 2011

A dor é filha da puta.

30 dezembro, 2011

Um segundo

Tempo da palavra difícil e agora talvez eu tente entender um pouco do que foi escrito naquelas linhas inexistentes do tão invejado caderno preto estufado de rabiscos, cores, amores, poemas, perdões. Talvez eu não saiba que de tão simples as coisas podem ser brilhantes. É tempo ruim. É tempo difícil e o engraçado é que tudo é tão materializado e no primeiro segundo já vai ser completamente diferente. Mas pra quem? Pra mim? Pra você? Puta que pariu! Acho que ninguém me avisou, porque pra mim não vai mudar não, amigo.

19 dezembro, 2011

Rota

Acho que é preciso viver um pouco mais sem pensar que corre-se o perigo de não achar o caminho.
Sempre há um mapa para os perdidos. Pra que se preocupar?

Vai entender.

18 dezembro, 2011

Andanças

Ultimamente tenho andado com a sensação de que esqueci alguma coisa.
Quase sempre que saio de casa. Todo dia.
Talvez eu tenha me deixado em algum lugar sem perceber, só pode.

07 dezembro, 2011

Catarina

Catarina, volta.
Volta, Catarina.
Volta, Catarina, pro meu mundo que era feliz.
Catarina, volta, mas me deixa ser feliz sozinha!
Volta! E não saia de perto de mim.
Volta, Catarina, mas não fique tão perto.
Volta, Catarina, volta e não desgruda.
Catarina, volta e aquece meu coração daquele jeito que você fazia.
Volta, Catarina, mas te gosta primeiro.
Catarina, Catarina, vê se volta de um jeito que a gente consiga se amar.

Ai, Catarina... Volta?