Mas que merda que merda que merda mas que merda você parece que não entende a falta que faz eu procuro o tempo todo e nada - não uma simples companhia eu quero mais que isso eu quero baby, eu vou aonde você for e é só disso que eu preciso eu só preciso cortar tomates rindo da sua cara de palhaça e dos seus olhos lindos. Dora, I would do it, i would say it, I would mean it, we could do it.
E mais uma vez eu não consegui fugir de falar de você mulher mais uma vez eu não consegui dormir parado pensando eu só batucava com os dentes algumas músicas ridículas mais uma vez eu não consegui escrever mais uma palavra depois que você apareceu na minha cabeça.
20 maio, 2012
14 maio, 2012
outro encontro mais uma vez
Este sábado encontrei Tadeu. O safado acabou de voltar da Europa, que inveja. Tudo bem, tudo bem... Tomamos as nossas e fiz questão de cobrar meu abraço - e durante vi que nunca o tiraria da cabeça. Sweetness sweetness I was only joking when i said i'd like to...
Não faço questão.
Não faço questão.
27 março, 2012
só mais uma car_ta 11 dias
Manoel,
Eu sei que você não quer ouvir uma palavra de mim, sei que não quer me ver nem pintado de ouro mas por favor, manda se foder o teu orgulho só um minuto e me escuta um pouco, Manoel. Não precisa me responder, só me escuta.
Por te-lo perdido, Manoel, venho abandonando aquela vagabunda. Você pode até não acreditar em mim. E você sabe que eu sou um vagabundo e que eu minto o tempo todo, eu sou. Eu me minto e que se dane a concordância. Admito que fui bater na porta da casa dela esse sábado mas ela não estava e fui embora, Manoel, eu fui embora! E chega, sabe? Chega, porra, chega! Ela me fez um estrago e me levou tanto embora que eu sou capaz de estrangular aquela puta mas como assim eu sou incapaz de dizer que não a desejo?! Lógico, eu sou assim, sujo, mentiroso. Corriqueiro.
Perdão pelas palavras, mas nesses meus 27 anos de estrago e fracasso eu ainda não sou homem, Manoel, eu ainda não sou homem o suficiente pra me olhar no espelho e me orgulhar.
Já fui, Manoel, já fui outra e sei posso voltar a ser.
Abraço apertado do seu (hoje, por enquanto),
André.
Eu sei que você não quer ouvir uma palavra de mim, sei que não quer me ver nem pintado de ouro mas por favor, manda se foder o teu orgulho só um minuto e me escuta um pouco, Manoel. Não precisa me responder, só me escuta.
Por te-lo perdido, Manoel, venho abandonando aquela vagabunda. Você pode até não acreditar em mim. E você sabe que eu sou um vagabundo e que eu minto o tempo todo, eu sou. Eu me minto e que se dane a concordância. Admito que fui bater na porta da casa dela esse sábado mas ela não estava e fui embora, Manoel, eu fui embora! E chega, sabe? Chega, porra, chega! Ela me fez um estrago e me levou tanto embora que eu sou capaz de estrangular aquela puta mas como assim eu sou incapaz de dizer que não a desejo?! Lógico, eu sou assim, sujo, mentiroso. Corriqueiro.
Perdão pelas palavras, mas nesses meus 27 anos de estrago e fracasso eu ainda não sou homem, Manoel, eu ainda não sou homem o suficiente pra me olhar no espelho e me orgulhar.
Já fui, Manoel, já fui outra e sei posso voltar a ser.
Abraço apertado do seu (hoje, por enquanto),
André.
19 março, 2012
socorro meu perdão
Eu tô tentando, Manoel, eu tô tentando. Peço mil sinceras desculpas pelas vezes que fui ver Carolina estando com você e isso me matou, Manoel, depois que ela foi embora me matou de tanta culpa que eu não me sentia homem de olhar na sua cara no dia seguinte. Eu não queria ir embora, Manoel, mas não podia ficar. Fui injusto, sujo, fraco, um merda. Eu sei que eu sou merda, Manoel. Eu sei.
07 março, 2012
seria doce o meu lar
E eis que uma vez eu vi caída uma foto de um marinheiro erodida na areia misturada a lixo
atrás estava escrito:
"egoísmo impede de ficar por isso marinheiro
se eu não voltar por nada
morri afogado"
atrás estava escrito:
"egoísmo impede de ficar por isso marinheiro
se eu não voltar por nada
morri afogado"
02 março, 2012
01 março, 2012
Aquele cara
Ele tinha toda uma mania esquisita (além do nome que sempre parecia estar escrito ao contrário). Escrever cartas a desconhecidos era uma delas. Quando soube disso me apaixonei por sua loucura de jovem-adulto-viajado-certo-do-que-quer-da-vida. Às vezes o invejava. Era do tipo que tinha tudo pra ser maluco drogado largado de esquina mas não era nada disso e talvez esse ponto me incomodasse mais que os outros - eu sou engraçado pra caralho em conflito com meu gosto que fede a ovo podre.
Lembro-me que do dia em que juntos jogamos purrinha pra ver se o tempo passava e passou, passou tanto que não mais o vi. Ouvi dizer que estava em outro país casado com um cara ou uma mulher, não quis me aprofundar. Só sei que num dia qualquer outra hora qualquer me chegou uma carta e eu sabia que eu não era um desconhecido. Era mesmo minha. Ele dizia que estava em minhas terras então tive lá por trás das orelhas uma coragem desconhecida, assumi o papel de seu destinatário e lá fui eu a seu encontro.
Então de cima de uma pedra eu vi o sol brilhar bonito como não fazia há tempos e o dia inteiro passei com os dedos cheios de areia na água gelada onde mora a rainha. Ele banhou-se como criança no mar, tal qual nunca tivesse o visto antes.
Eu disse coisas sobre sonhos e fui embora mas voltei desleixado, canalha sem um pingo de vergonha na cara e escrevi versos mais uma vez. Tirei sorrisos e suor como se eu não fosse acordar e esperancei - eu o ouço me dizer isso dentro da minha cabeça. Rindo da sua voz fina da sua cor pálida e de quando espirrava que nem um rato - e mais tudo que me fazia brilhar.
Não sei que horas, ora, mas fui embora e dessa vez não foi com Catarina. Carolina, vadia, que me levou e eu não quis mais voltar e sei lá o porquê desse vexame todo, irmão - eu não vou falar dela, eu não vou falar.
Carlos. Às vezes Manoel. Sem mais delongas porque eu preciso dormir e eu já falei eu sei que já falei demais.
Lembro-me que do dia em que juntos jogamos purrinha pra ver se o tempo passava e passou, passou tanto que não mais o vi. Ouvi dizer que estava em outro país casado com um cara ou uma mulher, não quis me aprofundar. Só sei que num dia qualquer outra hora qualquer me chegou uma carta e eu sabia que eu não era um desconhecido. Era mesmo minha. Ele dizia que estava em minhas terras então tive lá por trás das orelhas uma coragem desconhecida, assumi o papel de seu destinatário e lá fui eu a seu encontro.
Então de cima de uma pedra eu vi o sol brilhar bonito como não fazia há tempos e o dia inteiro passei com os dedos cheios de areia na água gelada onde mora a rainha. Ele banhou-se como criança no mar, tal qual nunca tivesse o visto antes.
Eu disse coisas sobre sonhos e fui embora mas voltei desleixado, canalha sem um pingo de vergonha na cara e escrevi versos mais uma vez. Tirei sorrisos e suor como se eu não fosse acordar e esperancei - eu o ouço me dizer isso dentro da minha cabeça. Rindo da sua voz fina da sua cor pálida e de quando espirrava que nem um rato - e mais tudo que me fazia brilhar.
Não sei que horas, ora, mas fui embora e dessa vez não foi com Catarina. Carolina, vadia, que me levou e eu não quis mais voltar e sei lá o porquê desse vexame todo, irmão - eu não vou falar dela, eu não vou falar.
Carlos. Às vezes Manoel. Sem mais delongas porque eu preciso dormir e eu já falei eu sei que já falei demais.
28 fevereiro, 2012
sobre viagens, existir e Tadeu
Sinto saudades de Tadeu. Velho de guerra, companheiro, gente boa que um dia fez meu estômago borbulhar de não sei o quê. Até hoje tenho alguns enjôos quando o vejo. Achou uma mulher não tão bonita - mas que me parece boa, apesar das minhas pulgas na orelha - se apaixonou e se mandou pra vida a dois. Ainda o encontro por aí tomando suas cachaças diárias e reclamando da vida. E lembro da viagem que fizemos eu ele mais um outro companheiro - também perdido por aí nas carreiras. Vezenquando tenho uma vontade enorme de dar-lhe um abraço daqueles que eu sempre guardei e de dizer o quanto dele eu tenho em mim. Sou grande parte Tadeu e não me entristeço porque foi o que ele deixou cair aqui, ficou meu. Um dia, uma semana e muitos livros. Um abraço. Ah, como queria mostrar a esse velho o quanto me ensinou sem precisar pegar uma cadeira, sentar ao meu lado e fazer prestar atenção. Não... Foi só. Só existindo.
27 fevereiro, 2012
Entre poeira vírgula - ou não
Pelo santo, Carolina, para com isso. Eu não tenho paciência pra você. Você me vem com esses papos de que está tudo bem, me chama de 'amor', diz que eu sou lindo-o-homem-da-sua-vida-e-só-comigo-você-pode-ser-feliz. Não fode, Carolina! Quem você acha que eu sou? Eu não preciso de você. Chega. Não devo me prolongar, vou tomar um café senão perco minha cabeça com essa conversa. -
Um café há dois dias parado na jarra gelado amargo pra caralho que eu tomei sem açúcar pra ver se desce e acaba com o doce da minha vida porque é disso que eu gosto e assim eu tenho toda a atenção que eu quero.
- E essas porras dessas formigas aqui na mesa? O que você anda fazendo? Deixa de ser suja, mulher, vá se limpar.
Ela com aquele seu vestido branco sujo rasgado desfolhado e a pele seca que ela descascava como alho no sofá. Eu senti meu coração bater na nuca e aquele calor dentro da minha calça preta de brim não me deixava pensar. Suor escorrendo na testa mas eu não deixava de olhar para Carolina e era exatamente daquele jeito que eu gostava dela e pensava, imaginava. Imaginava todas as vezes que ela me deixava sujo como seu vestido e me rasgava e era só eu e ela ela e eu e só.
- Eu te odeio, Carolina.
Um café há dois dias parado na jarra gelado amargo pra caralho que eu tomei sem açúcar pra ver se desce e acaba com o doce da minha vida porque é disso que eu gosto e assim eu tenho toda a atenção que eu quero.
- E essas porras dessas formigas aqui na mesa? O que você anda fazendo? Deixa de ser suja, mulher, vá se limpar.
Ela com aquele seu vestido branco sujo rasgado desfolhado e a pele seca que ela descascava como alho no sofá. Eu senti meu coração bater na nuca e aquele calor dentro da minha calça preta de brim não me deixava pensar. Suor escorrendo na testa mas eu não deixava de olhar para Carolina e era exatamente daquele jeito que eu gostava dela e pensava, imaginava. Imaginava todas as vezes que ela me deixava sujo como seu vestido e me rasgava e era só eu e ela ela e eu e só.
- Eu te odeio, Carolina.
16 fevereiro, 2012
Sobre rasgos
E de repente me vi caminhando, contente, calado pelas ruas daquele lugar sujo que tanto amo, cheio de gente que não sabe mais de onde veio, cheio de esperanças caídas pelo chão, blocos de cimento passando entre blocos de rua porque já é carnaval para os amantes. No relógio já era cedo e eu estava bonito como da outra vez.
A figura me veio como bala 38 no peito, rasgando seco a raiva junto com todos os meus órgãos, como se tivessem me tirado tudo o que tinha naquele exato momento e então eu só queria ir para casa.
Mas eu não morri, não morri.
A figura me veio como bala 38 no peito, rasgando seco a raiva junto com todos os meus órgãos, como se tivessem me tirado tudo o que tinha naquele exato momento e então eu só queria ir para casa.
Mas eu não morri, não morri.
14 fevereiro, 2012
- Caralho, meu amigo, porque eu não consigo largar de mão de vez? Claro que não, óbvio que não... Porra, cara, Catarina era foda! Catarina É foda. Mas ela é foda nos dois sentidos, sabe? Isso que é pior. Talvez nos três sentidos. Catarina é foda, é foda e é foda... Catarina é maravilhosa. Catarina é uma sem-vergonha! E Catarina é meu sexo... Eu tô fodido, cara.
09 janeiro, 2012
É, é foda porque você acaba virando cocaína e o estrago é exatamente o mesmo e foda-se se você não concorda mas eu perdi as minhas vírgulas de novo e olha só como eu tô agora enxugando as lágrimas com tapas nos olhos e espremendo a cabeça com as mãos como aquela pintura que eu esqueci o nome e socando pra ver se sai alguma coisa dessa merda e que ódio que ódio que ódio de mim mesmo que fico completamente fora do normal perto de você escrevendo sem concordância nenhuma pelo menos não quando passo os olhos pra ver como está mas você não sabe como eu sou obcecado por isso tudo e por essa dor e pelo gozo e pelos sorrisos de fim de tarde e puta que pariu CRISE DE ABSTINÊNCIA FODIDA você não pode aparecer de novo não agora não não não não agora pelo amor de deus que eu não tenho mais nariz pra você.
08 janeiro, 2012
Eu sumo, cara, eu sou assim. Sou sumido como moeda na areia. Desde pequeno minha mãe já dizia que eu queria fazer as malas e ir embora. E minha senhora hoje diz o mesmo. Sou passarinho, liberto, de gaiola aberta. E só assim posso escolher onde pousar, onde tecer meu ninho. Só assim posso voar dentro de mim.
02 janeiro, 2012
Hoje o mundo é azul
Duas da tarde do dia seguinte e me vejo nesta cadeira azul-royal que ofusca mais meus olhos que minha hipermetropia tão perto da tela. Quero nascer outro. Vejo-me turvo, sem paladar, sem alimento. Empanado em minha própria obssessão pela cura. E quero o retorcido, dobrado, curvilíneo, íngreme, sinuoso.
Eu quero o complexo porque eu sempre gostei do estrago e isso me lembra uma canção.
Dedico algumas frases a um grande amigo meu, pois sempre que o leio começo a palavrear e nem ele sabe como acho isso tão belo, tão... Especial? Não sei o que há em suas cartas nem nos seus livros que nunca consegui ler. Compartilhamos franceses e um pouco de cultura que eu já renego que exista em mim, não me enxergo mas talvez seja disso que eu preciso agora, entende?
E agora eu me levanto e vou à estante selecionar aquele livro de capa azul que há mais de ano me foi dado de presente e até hoje, nada. É azul. Azul, como a cadeira! Azul, a cor da contagem regressiva dos dez segundos de felicidade extrema ouvindo música de macumba e azul era minha roupa quando o conheci, olha só!
Fecho os olhos e lembro do tempo frio que fazia, onde os casacos não eram suficientes mas o café era de graça; o céu cheio de estrelas e nós deitávamos na grama pra assistir os shows à noite, com toda a poesia e o tabaco que merecíamos. Nesse meio tempo perdi as estrelas e palavras e poemas e autores e livros que prometi e obras mais pinturas sem trajeto nenhum e sem pincéis encharcados que manchavam aquarelas das mais variadas que fazia e pessoas recitando sonhos em meus ouvidos que já não escutavam mais nada.
Eu preciso de um banho, amor. Eu preciso de um banho pra ver se saem todas as vírgulas de minha alma porque já estou farto delas. Não quero pontos finais reticências dois-pontos muito menos hifens. Não quero mais controle e de viver assim, só, quero o ar que me oxigena para sempre.
Continuo a escrever de meia em meia hora sem saber ao certo sobre o que se trata a discussão de meus dedos. Agora só vou tomar meu banho. Meu café e meu cigarro também não pode faltar.
Meus dois amores dormem no quarto ao lado. Às nove estou de volta.
Eu quero o complexo porque eu sempre gostei do estrago e isso me lembra uma canção.
Dedico algumas frases a um grande amigo meu, pois sempre que o leio começo a palavrear e nem ele sabe como acho isso tão belo, tão... Especial? Não sei o que há em suas cartas nem nos seus livros que nunca consegui ler. Compartilhamos franceses e um pouco de cultura que eu já renego que exista em mim, não me enxergo mas talvez seja disso que eu preciso agora, entende?
E agora eu me levanto e vou à estante selecionar aquele livro de capa azul que há mais de ano me foi dado de presente e até hoje, nada. É azul. Azul, como a cadeira! Azul, a cor da contagem regressiva dos dez segundos de felicidade extrema ouvindo música de macumba e azul era minha roupa quando o conheci, olha só!
Fecho os olhos e lembro do tempo frio que fazia, onde os casacos não eram suficientes mas o café era de graça; o céu cheio de estrelas e nós deitávamos na grama pra assistir os shows à noite, com toda a poesia e o tabaco que merecíamos. Nesse meio tempo perdi as estrelas e palavras e poemas e autores e livros que prometi e obras mais pinturas sem trajeto nenhum e sem pincéis encharcados que manchavam aquarelas das mais variadas que fazia e pessoas recitando sonhos em meus ouvidos que já não escutavam mais nada.
Eu preciso de um banho, amor. Eu preciso de um banho pra ver se saem todas as vírgulas de minha alma porque já estou farto delas. Não quero pontos finais reticências dois-pontos muito menos hifens. Não quero mais controle e de viver assim, só, quero o ar que me oxigena para sempre.
Continuo a escrever de meia em meia hora sem saber ao certo sobre o que se trata a discussão de meus dedos. Agora só vou tomar meu banho. Meu café e meu cigarro também não pode faltar.
Meus dois amores dormem no quarto ao lado. Às nove estou de volta.
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