28 outubro, 2010

é quase um hobby mentir para mim mesma.

20 outubro, 2010

Como vovó já dizia: só se atiram pedras em árvores com frutos.

14 outubro, 2010

?


- Eu acho que você deixou na prateleira. Ou debaixo daquela cama barulhenta que às vezes parecia querer quebrar... Será que foi junto com o copo sujo de requeijão? No cinzeiro cheio de guimbas e de fumo? Pode ser que tenha descido pelo ralo do chuveiro. Ou não, talvez o vaso sanitário o tenha engolido, isso... Não! Tenho quase certeza de que levamos pra algum lugar. Corrija-me se eu estiver errada. Será que aquelas formiguinhas safadas o carregaram pela grama enquanto eu cochilava? Bem que notei que elas estavam quietas demais... Ou então o sol o sugou mesmo. - risos.

- ...

- É, acho que foi. Porque eu não lembro de você ter trazido. Não, não tudo. Eu não devia era ter colocado sob sua responsabilidade, sabia que você ia deixar lá.

12 outubro, 2010

Cara cara


É, e agora eu não consigo dormir pensando na putaria que você fez com a minha vida. Chega bagunçando logo as gavetas e jogando todas as roupas no chão e enrolando o lençol esticado da cama e mudando tudo de lugar e cada centímetro que você pode. E aí acaba que muda a cor do meu cabelo e da minha pele e dos meus olhos e o tamanho das minhas unhas e o meu jeito de andar largada e o meu bom hálito de sempre e a minha mania de querer aparecer toda hora e olha só! até meu jeito de escrever você conseguiu bagunçar ou você ainda não reparou que eu quase não uso mais vírgulas? Pois é, o querido Caio me ajuda bastante nessa porque ele sabe como é a sensação de ter baldes de merda em cima de você e não saber nem nadar nem se limpar nem ficar cheirosinho nem nada, cara, nem nada. E agora colocando essas duas últimas vírgulas forçadas pra ver se alguém entende melhor o meu pedido de socorro porque eu não aguento mais viver sem viver, cara, não aguento mais. Três e vinte da manhã e eu aqui falando de você e eu tenho de acordar cedo pra cacete mas obviamente perderei a hora e daqui a uma semana provavelmente a merda do emprego e aí? como eu fico, cara? é, eu também não sei acho que se eu soubesse não estaria aqui às quase quatro horas da manhã escrevendo porque eu demorei trinta minutos pra pensar essa titica – acho que conheci uma mulher que dizia essa palavra – e ainda ficar mudando de assunto piorando a estrutura mas que droga isso não é um texto literário muito menos um texto a ser publicado e eu não sei por que eu ainda fico me preocupando com essas merdas. Foda cara, foda.

11 outubro, 2010

Nonsense/brainstorming direcionado

Depois de tanto, tantas viradas e viradas e giros de trezentos e sessenta graus na circunferência da vida, temida, vivida, corrida; minha carne ainda tem sede e sussurra em meu ouvido esquerdo todas as mazelas - e é engraçado como rima com gazelas - e as frases de amor frias que esquentavam os dezoito graus que tremiam a gente e um abraço um beijo roubado uma pontada filha da mãe no estômago! Como era boa, argh, desejo tremilicando as malditas pernas de gozo e vida e suor.
Sede.
Segura firme no meu braço e faz aquela piadinha sacana de sempre e me alisa e me deixa cheia de vontade de argh eu nem quero mais saber.
Toma cuidado que a dor pode estar ali no canto direito te olhando e você vai levar um susto.

14 setembro, 2010

eu sou tão igual que chega a me dar náusea. sempre a mesma dor, os mesmos diálogos, as mesmas lágrimas e as mesmas frases feitas. sempre mesma merda.

13 setembro, 2010

repara

pactos repentinos
dor repentina
de repente
repete
repetente
repentinamente

11 setembro, 2010

contido

Um tiro de repente. O peito sangra.
- Não há, não há... Não há mais nada. Não há mais jardim, não há mais rosas, borboletas. Nenhum pássaro a cantar pra ti. Nem sequer uma mísera gota de orvalho das tuas flores. Tudo está seco, inclusive teu rosto. Tu não te reconheces mais e mal consegue levantar tua cabeça para encarar o espelho.
- ...
- É a tua realidade agora.

04 setembro, 2010

Sábado (des)conexo

Sujo sujo sujo vadio arredio vagabundo parado só só e cada vez mais e mais e mais sem nada com aquela vontade filha da puta de passar a noite num pé sujo qualquer ouvindo um samba qualquer olhando uma mulher qualquer ou quem sabe um desses caras quaisquer toscos pés de valsa que te conquistam com um piscar de olhos e você finge que não quer nada só pra inflar seu ego ou então se der sorte arruma alguém que te leve pra passar uma noite maravilhosa num quartinho bacana com ar-condicionado e você acorda com seu coração condicionado e apertando de orgulho dessa carinha bonita ou então você só vai continuar ali sentado na mesa sozinho a fumar uns quinhentos mil cigarros e voltará pra casa na tarde seguinte tosse tosse tosse tosse parecendo que o pulmão vai saltar arranhando a garganta e pedirá um café quente e um pão com manteiga na ilusão de tentar aliviar a dor das incontáveis garrafas de cerveja que você matou e do pó e de tudo o que você não lembra ter tomado na noite inteira que foderam todo o seu organismo mas pelo menos você tá vivo rapaz e vai poder deitar no colchonete rasgado daquele quarto sujo sujo sujo e sem nada só um monte de papéis amassados e canetas e bitucas e cacos de vidro e vida e amor e lágrimas e aquela dor que você tanto inventa e mais um monte de coisas espalhadas que você nem lembra que existem mas você vai dormir em paz.

26 agosto, 2010

- Pára com isso, porra, fica quieto que tu não tem nada a ver com isso, aliás, tu não devia nem estar aqui. Tá pensando o quê? Que pode alguma coisa? Tá achando que pode chegar e fazer o que tu quiser assim, sem mais nem menos? Não pode não, rapá, e tu devia se envergonhar, sabe por quê? Porque isso é pura sacanagem que tu faz. É, é sacanagem e falta de vergonha nessa tua fuça. Falta de dignidade, de humildade. E tu nem faz ideia de como tu machuca os outros com esse teu bagulho, toca o 'foda-se' e pronto, né... Acha que tá bonito, que tá bacana? Não tá não, cara, não tá não. Tu devia pelo menos abaixar essa tua cabeça e olhar pro cara que tá lá na merda por tua causa. Mas contigo é no 'foda-se', né, se o teu tá seguro tu nem se preocupa e cai fora. Mas se prepara, rapá, porque um dia tu vai ter o teu troco. Isso não vai ficar assim não, a vida vai te dar um balanço daqueles, tu vai ver. Esse tipo de coisa não fica no barato não.

24 agosto, 2010

Inachável procurado (e neologismo)

- Não sei cadê - murmurava.
Andava de um lado para o outro, investigava cada canto do quarto. Debaixo da cômoda, da cama, entre os livros caídos na estante... E só havia poeira, cada vez mais poeira. Narinas entupidas, cansado, morrendo de vontade de deitar na cama e só acordar na noite seguinte, mas não podia se dar por vencido. Então respirou fundo e tirou cada gaveta do criado-mudo e debaixo do colchão e atrás das cortinas e revirou os móveis e o lençol da cama e até a fronha do travesseiro e não aguentava mais aquilo tudo e precisava desacelerar e se jogou na cama. Ufa.
- Deus, onde está?
Seu corpo dolorido, as orelhas zumbindo. Não pode nem perceber a chegada do seu companheiro.
- Posso ajudar?
- Ah, seria ótimo!
- Nessa bagunça toda acho difícil encontrar alguma coisa.
- Pois é... Tanto que não encontrei até agora.
- E o que é que você tanto procura?
- Eu... Eu não sei.

21 agosto, 2010

Despercebido (e pulinhos)

Passou tão rápido...
Nem percebi.
"Tristeza nunca mais..."
Nunca mais?

Minha melancolia puramente artificial
arteficial
inventada.
"Eu sei, não é assim..."

Não só uma,
Todas elas passando muito muito muito muito rápido e nem duas palavras eu escrevi.

Faltam só cinco de trinta
Os outros vinte e cinco passaram como
Beija-flores, que nem sequer me beijaram.

Mas eu já preenchi metade inteira da folha
E nem percebi
Pulando linhas sem nexo algum.
Até que é divertido
Pareço pular
De uma janelinha
para outra.

A música acaba mais uma vez
"Mais uma canção".

17 agosto, 2010

3algumacoisa

Eu nem sequer olhava o mar, percebi.
Cabeça noutro lugar.
Arco-íris!
Concentra!

Aí você cruza os dedos.

12 agosto, 2010

nada

E era misto
De loucura
Um alucinógeno
Intergaláctico
Uau
Viagem
Era amor
Era gozo
Era vida
mas não era nada
Era só

balancê

Vai pra lá e pra cá. Minha cabeça não fica no lugar.
Curvas sinuosas, teimosas.
Já estou ficando um bocado cansado de todo esse ziriguidum.
- Vê se para de tremer, trem doido!


À minha vida tão insana.